*Para ler ouvindo E Estamos Conversados – Arnaldo Antunes.

Eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante
que fazem as falas das pessoas falando, cochichando e reclamando,
que eles querem mesmo é reclamar,
como uma risada na minha orelha, ou como uma abelha, ou qualquer outra coisa pentelha,
sobre as vidas alheias, ou como elas são feias,
ou como estão cheias de tanto esconderem segredos
que todo mundo já sabe, ou se não sabe desconfia.
Eu não vou mais ficar ouvindo distraido eles falarem deles e do que eles fariam se fosse com eles
e o que eles não fazem de jeito nenhum, como se interessasse a qualquer um.
Eles são: As pessoas. As pessoas todas, fora os mudos.
Se eles querem falar de mim, de nós, de nós dois,
falem longe da minha janela, por favor, se for para falar do meu amor.
Eu agora só escuto rádio, vitrola, gravador.
Campainha, telefone, secretária eletrônica eu não ouço nunca mais, pelo menos por enquanto.
Quem quiser papo comigo tem que calar a boca enquanto eu fecho o bico.
E estamos conversados.

Ah esse Arnaldo.
Sempre único…
Sempre preciso.
Acontece a mesma coisa com Nietzsche.
Sempre a página certa na hora certa.
Sempre a música certa na hora certa.

Não adianta fingir.
Os assuntos amarelos têm sim me preocupado.
Que será do BB e que será daqueles que o LIC chama de funcis?
Medo.

Acabei de chegar do São Lourenço. Passei uma hora lá matando saudades das meninas.

Entre ontem e hoje li o Dicionário das Idéias Feitas, do Flaubert.
Um deboche maravilhoso aos costumes da Paris do fim do século XIX.
Amostra grátis:

América: Belo exemplo de injustiça, foi Colombo quem a descobriu e seu nome vem de Américo Vespúcio. Sem a descoberta da América, não teríamos a sífilis e a filoxera. Deve-se exaltá-la mesmo assim, principalmente quando não se foi lá.
Antigüidades: São sempre de fabricação moderna.
Calor: Sempre insuportável.
Champagne: …Deve-se fingir detestá-lo, dizendo que “não é vinho”. Provoca entusiasmo na gentinha.
Cólera: Ativa a circulação; encolerizar-se de vez em quando é uma medida de higiene.
Covinhas: Deve-se sempre dizer a uma moça bonita que ela tem amores aninhados nas covinhas.
Doença dos nervos: É sempre fingimento.
Dor: A dor verdadeira é sempre contida.
Exercício: Preserva contra todas as doenças: deve-se sempre aconselhar aos outros que façam exercícios.
Fazenda: Quando visitamos uma fazenda, só devemos comer pão preto e beber leite. Se acrescentarem ovos, deve-se exclamar: “Meu Deus, como estão frescos! Impossível encontrar ovos assim na cidade!
Fulminar: Lindo verbo.
Higiene: Preserva contra as doenças, quando não é sua causa.
Infinitesimal: Ninguém sabe o que é, mas tem alguma relação com a homeopatia.
Jujuba: Ninguém sabe do que é feita. (Diz a lenda que um dia o Rui vai acabar sabendo.)
Liberdade: Ó Liberdade! Quantos crimes são cometidos em teu nome!
Tempo: Eterno assunto de conversa. Causa universal de todas as doenças.

Como não fotografei hoje, deixo o link de um brógue com imagens que amei.
Déesse déchue
Vale a visita.

‘Noite.

Anúncios

~ por Rui Bittencourt em maio 8, 2007.

Uma resposta to “”

  1. essa jujuba com sua dor contida. :}

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: