*Para ler ouvindo Curitiba – Maxixe Machine.

314 anos.
Nosso prefeito está na Praça Santos Andrade distribuindo bolo de morango com cobertura de chantilly aos passantes. Alguém avisa o ‘menino Beto’ que esse tipo de populismo é papel do governador do Estado?
Desses 314 anos, presenciei 27. Quase 28. A cidade mudou muito quando eu era muito pequeno, pelo menos é o que dizem as pessoas que aqui estavam antes de mim. A Curitiba da primeira metade dos anos 70 ainda era a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. E, de repente, bum! Efeito Lerner? Pode ser… Mas não acredito que tenha sido só isso. Nessa época a Curitribo começou a engatinhar em sua existência cultural. Está agora saindo das fraldas. Feio falar que minha cidade está de fora dos grandes circuitos culturais? Mas feio ainda em época de Festival de Teatro? Não foram poucas as pessoas ligadas à cultura nessa cidade que fizeram discursos sobre a autofagia curitibana. Pra polacada, se é daqui, tem grande chance de não der bom. O mais triste é que muitas vezes é bom e some antes mesmo que se perceba o quanto era bom.
Aquela lenda/maldição de que o público curitibano é crítico é veneno que seca as folhas de quase tudo que por essas terras venha a florescer. Porque esse pseudo-senso crítico não atinge paulistas, cariocas, mineiros e baianos que mostrem seu trabalho aqui. O nome popular dessa ‘crítica’ é dor-de cotovelo. Curitibanos com ou sem talento são invariavelmete apedrejados por outros curitibanos, esses sempre sem talento. Curitibano não aguenta ver seu vizinho na MTV, curitibano adora falar que a ex-colega de escola que virou ‘global’ saía com o professor do Positivo. Existe algo mais provinciano, digo, curitibano que o Positivo? Mais ainda, se preocupar se a menina sai ou não com o professor do Positivo? Hahaha…
Enfim, amo e odeio essa terra onde nasci. Amo e odeio essa polacada. Amo e odeio ter as 4 estações do ano no mesmo dia. Amo e odeio esse orgulho infundado de ser curitiboca nos 314 anos da Curitribo.
Parabéns a cada curitibano!
Bem feito a cada curitibano!

20070324-001.jpg

Aposto e ganho! Em uma casa de madeira, lá na Barreirinha, em uma soleira como essa, um velho está sentado com seu cigarro de palha vendo Curitiba passar. O vira-latas dele late pra piazada que joga bola na rua. Cheiro de feijão vindo de uma panela na cozinha. O rádio da sala conta pra ele que ontem o Coxa ganhou do Maringá por 1X0.

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~ por Rui Bittencourt em março 29, 2007.

Uma resposta to “”

  1. Eu estive por pouco tempo aí , 4 anos ,,, é Curitiba é muito particular, vc pode amar e odiar como vc mesmo disse, mesmo pq um lugar que proporciona 4 estações em 1 dia ,, só podia ser assim ,, em 24hrs vc ama e odeia umas 24 vezes… Mais eu só queria dizer que o texto foi muito bem escrito “pseudo-senso crítico ” incrível…

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